Análise visa proporcionar uma visão externa ao trabalho que a SANEAGO vem realizando.
Com o objetivo de proporcionar á SANEAGO uma visão externa ao trabalho que vem sendo realizado no projeto de implantação da Barragem do Ribeirão João Leite, no dia 8 de abril último o consultor José Galizia Tundisi proferiu, no auditório da SANEAGO, a palestra Bacia Hidrográfica do Ribeirão João Leite e do futuro reservatório João Leite: perspectivas para a gestão integrada.
Nesta palestra, Tundisi, que é o consultor internacional na área de recursos hídricos e presta serviço para o projeto da barragem, apresentou uma avaliação baseada na análise dos relatórios dos últimos 10 anos de trabalho na bacia do João Leite. De acordo com ele, seu parecer tem a finalidade de contribuir com o programa de gestão do futuro reservatório do João Leite.
Tundisi é presidente honorário do Instituto Internacional de Ecologia, sediado em São Carlos (SP), que atua na área de recursos hídricos com pesquisa, programas de gestão, capacitação de RH, publicação de material e disseminação de resultados e conhecimentos.
Como consultor internacional Tundisi tem acompanhado o funcionamento de várias represas. Também gerencia um sistema de formação de gerentes em recursos hídricos para o Brasil, Polônia, Jordânia, Rússia, China e África do Sul-países nos quais tem acompanhado a evolução dos processos de gestão das águas. Ainda na África do Sul está desenvolvendo um projeto de capacitação de gerentes de recursos hídricos e de técnicos de nível médio para a gestão das águas que envolvem os 53 países africanos e suas academias de ciências.
AVALIAÇÃO DOS RELATÓRIOS
“Os relatórios analisados têm uma alta competência técnica, foram elaborados com excelente material, mostram tendências na bacia hidrográfica e os impactos possíveis no futuro reservatório. Eles também trazem um programa de gestão, que é exatamente importante e do qual eu destaquei alguns pontos que me pareceram fundamentais, como, por exemplo, a articulação com os diferentes componentes da sociedade para uma boa gestão.”
RECOMENDAÇÃO ESPECIAL
“Com relação ao plano de gestão faço uma recomendação para SANEAGO: que ela lidere o processo de gestão do futuro reservatório, articulando os outros componentes do sistema para que possa ter, a partir desta liderança, condições de manter a qualidade da água do lago. Esta recomendação especial é porque a responsabilidade jurídica de distribuir água de boa qualidade é da SANEAGO, hoje e quando o futuro reservatório estiver funcionando. Portanto, nada mais natural que ela lidere. Ela não pode gerenciar sozinha porque os parceiros são muitos, mas pode liderar o processo de gestão”.
EXPLORAÇÃO COMERCIAL
“Não sou contra instalar hotéis e áreas de lazer em reservatórios de usos múltiplos. Nestes recomendo aproveitar as potencialidades do lugar para turismo, recreação, pesca, aquacultura etc. Porém, o futuro reservatório do João Leite será exclusivamente para abastecimento de água para população. Não recomendo nem pesca, mesmo sabendo que a água passará por tratamento após ser captada. É preciso garantir a qualidade da água que será fornecida, evitando-se, por exemplo, o risco de doenças de veiculação hídrica”.
OUTRAS POSSIBILIDADES
“Minha sugestão é aproveitar a capacidade da bacia hidrográfica e do reservatório para atividades educacionais, de pesquisa e de conservação, como formação de guias turísticos e de gerentes de recursos hídricos; usar o reservatório para ter um conjunto de atividades técnicas de formação de recursos humanos; pessoas trabalhando com reflorestamento e com manejo florestal na bacia e também recuperando as matas ciliares. Estas idéias podem gerar centenas de empregos e são alternativas ao desenvolvimento tradicional”.
FUTURO DO RESERVATÓRIO
“A implantação do plano de gerenciamento, com todas as restrições sugeridas e os mecanismos de controle e de fiscalização pode promover aumento da vida útil do futuro reservatório, previsto para ser de 30 anos. Caso as recomendações sejam ignoradas, o futuro reservatório pode ficar eutrofizado. A qualidade da água vai degradar e os custos do tratamento vão subir muito. Todas as questões levantadas no parecer que fiz já ocorreram em outras regiões do mundo e podem ocorrer aqui, se não forem tomadas às medidas necessárias. Isto não é uma hipótese, é uma certeza”.
CONSERVAÇÃO E PRESERVAÇÃO
“Sugiro que se aumente desde já o investimento em conservação e preservação da área da barragem, pois cada centavo investido agora significará economia de R$ 5 na recuperação da área depois degradada. Acompanhei a recuperação de 20 lagos em vários países, entre eles Itália, França e Inglaterra, e posso garantir que fica mais caro recuperar depois”.
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