A Copel lançou ontem, dia 23, no reservatório de usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto (Foz do Areia), uma plataforma especial que levou para o meio da represa um complexo de equipamentos, digno de um laboratório de análise e monitoramento da água. Ela vai fornecer em tempo real informações sobre a qualidade da água. Com este equipamento, a Copel avança mais um passo no aperfeiçoamento do monitoramento e controle das algas que de tempo em tempo infestam as águas daquele reservatório.
A plataforma, com tecnologia de análise e transmissão em tempo real da situação da água, realizará tomada de dados climatológicos, físicos e químicos no perfil vertical do reservatório. Ela foi desenvolvida pelo Instituto Internacional de Ecologia e Gerenciamento ambiental (IIEGA), contratado para prestar consultoria e apoio à Copel no controle das florações de algas em Foz do Areia.
A operação de lançamento foi uma dificuldade à parte, pois precisou ser realizada com o vertedouro aberto e dentro das rígidas normas de segurança da área de Operação de Usinas da Copel. Atividade que contou com o decisivo apoio de todo o pessoal da usina GBM, tendo à frente Areli Albach Farias. Vencida esta etapa, agora seguem-se as instalações da sonda multiparametrica, da fonte de alimentação e da infra-estrutura de comunicações, devendo estar tudo concluído, testado e operando no prazo de 20 a 30 dias.
A alimentação elétrica da plataforma se dará pela energia captada por painéis solares e armazenada em baterias de 12 Volts, o que permitirá o uso contínuo da estação, sem interrupção, e dispensando o lançamento de cabos. A estação climatológica embarcada na plataforma deverá transmitir continuamente dados de radiação solar, forca e direção do vento, temperatura do ar e precipitação. A sonda multiparametrica, que contém sensores de profundidade, condutividade, temperatura, oxigênio dissolvido, PH, turbidez e TDS (Sólidos Totais Dissolvidos), avaliará o perfil da coluna d\'água a cada 2 horas, da superfície até 50 metros abaixo. Esses dados serão transmitidos via sinal de rádio da plataforma para um ponto no topo da barragem e dali, via Internet, seguirá para um site que disponibilizara as informações, continuamente, para a Copel e para o IIEGA.
O trabalho de instalação da plataforma foi executado pelo IIEGA, conforme previsto em contrato e supervisionado pela Comissão de Monitoramento e Controle das Algas em Foz do Areia e por técnicos e gerentes da SOM (Usina). As embarcações que realizaram o transporte da plataforma, poitas e demais equipamentos, foram contratadas pelo próprio IIEGA junto à empresa de navegação Caminhos do Iguaçu, de União da Vitória. A Copel acompanhou e supervisionou todo o trabalho com uma de suas embarcações. A plataforma foi ancorada com 4 poitas de cerca de 300 Kg cada uma, com utilização de corda naval de seda e instalação de contra-pesos, que proporcionarão sua oscilação vertical decorrente da ampla variação de nível d\'água do reservatório.
Segundo o professor José Galizia Tundisi, doutor e especialista em despoluição de rios e reservatórios, a situação do uso e qualidade da água é preocupante no mundo todo. No caso do Rio Iguaçu, o esforço será enorme devido à quantidade de rios afluentes, comunidades e atividades agropecuárias que causam a entrada de sedimentos orgânicos, fósforo e hidrogênio no reservatório da usina, onde ajudam a alimentar a formação das algas. O problema não é só da Copel, mas sim de toda a comunidade que sofre com as consequências desse problema.
"A plataforma vai dar maior precisão e qualidade aos dados físico-químicos coletados, constituindo-se importante contribuição da Copel para, em parceria com os demais órgãos e comunidades envolvidas, solucionar o problema das algas e evitar futuros danos semelhantes", afirma Roberto Rathunde, da Coordenação Socioambiental e de Sustentabilidade da Copel.